No diário da adolescência #5: Folhas rasgadas espalhadas no chão
Incrível dejá vu, escrito a 22-08-97
A minha vida não é mais do que um amontoado de folhas rasgadas no chão. Rasgo-as, piso-as, grito e choro, mas cada vez mais, mais folhas aparecem no chão. Sou eu que as escrevo. Sou eu que as ponho ali.
Leio esta e aquela e descubro outra voz, que não é a minha, falando-me daquelas folhas soltas e rasgadas. Essa voz mostra-me o passado, a vida que eu já percorri. Rio quando leio algumas dessas folhas. Noutras eu choro. Outras são desenhos, são imagens da minha memória. Imagens que valem mais do que um poema, ou muitas palavras. E nessas imagens, nessas palavras, nessas folhas rasgadas espalhadas no chão, encontro sempre pedaços de ti, de mim, de outros que conheci. São pedaços de poesia deste mundo onde vivemos.