No diário da adolescência #1: Caminho
O céu é azul e a planície é infinita, eterna.
É Verão e o calor envolve a minha pele, dificultando a minha respiração.
Ando.
Caminho.
Não sei para onde vou.
Apenas olho o infinito com a esperança de vir a encontrar outra coisa que não seja outra árvore, outra seara.
Tenho sede mas sei que há rios, algures, onde possa beber.
Não oiço nada a não ser os meus próprios passos mas, sei que algures, alguém canta, alguém grita, alguém ri.
Não vejo nada a não ser o horizonte mas sei que um dia encontrarei alguém.
Não sinto nada a não ser o sol na minha pele, mas sei que a estrada me leva a casa.
Estou cansada de andar mas tenho de continuar a seguir a minha estrada invisível, assim como a noite segue o dia e este segue a noite. Sempre.
Escrito em 96