A ausência do silêncio

Surpreende-me como é que as pessoas não sentem falta do silêncio. Talvez seja uma coisa minha, mas ter uns momentos de silêncio durante o dia, que não sejam propriamente para dormir, são essenciais.
Hoje vivo constantemente submergida no som e detesto. São preciosos para mim todos os momentos em que não há sons, nem em casa, nem na rua.
Quando vim do Alentejo viver para a grande cidade a primeira diferença que notei foi o barulho. Achava infernal estar em casa e ouvir constantemente carros e pessoas. E se é verdade que nos habituamos ao barulho, cada vez mais há desrespeito quanto aos ouvidos dos outros e às horas de descanso.
Metro à hora de ponta: carruagem cheia mas ninguém fala no entanto ouve-se uma batida ruidosa a sair dos phones de alguém.
Comboio: uma hora de caminho a ouvir a música do telemóvel de alguém que acha que tem bom gosto musical. Ou alguém a conversar muito alto porque é muito interessante o que diz.
Em casa alguém põe música alto para ir tomar banho e discute-se à 1 da manhã como se fossem 3 da tarde.
Duas da manhã na minha rua: alguém acha piada andar a subir e a descer a rua de mota, a essa hora.
Fora isso há os telefones, apitos de máquinas, barulhos de carros e comboios, barulho do ar condicionado, etc...
Estar em silêncio é uma bênção cada vez mais escassa.